- Amo-te – disse ele, enquanto brincava com a areia
- Odeio-te – respondeu friamente
Ele parou, olhou o mar, sereno ...
- E odeias-me com a mesma intensidade com que te amo?
- Sim! – disparou prontamente
- Então .. qual é a diferença?
Perdoa-me se sou várias pessoas ..
Se aquilo que digo ontem não é o mesmo que digo hoje
Não deixam de ser verdades
Mas verdades naquele espaço e tempo
Naquele momento
Hoje sou outra pessoa, outros momentos ..
Perdoa-me se sou volátil
Se as minhas certezas nem sempre perduram
Se os meus sentimentos mudam
E isso o que importa
Se a vida é vivida em cada momento
E eu mudo como o vento
É mais forte do que eu
Não o faço para te enlouquecer ..
Nem eu sei que verdade será a minha amanhã ...
A Morte agonizante
O cheiro putrefacto do cadáver
Que agora é nada
Mero corpo inerte
Num amanhecer igual a tantos outros
Para todos
Menos para ti
Que estás morto
O choro impiedoso
O silêncio apaziguador
A morte que chega como o fim de todas as dores
Finalmente
O corpo rígido
Estático
A expressão do sofrimento
A última luta
O último impulso
O mero instinto de sobrevivência
O respirar sôfrego, pesado, vagaroso
O último olhar, o último sentimento
A última réstia do ser
Que se esvai
Amordaçando o gemido
Agarrando, arranhando
O último pedaço tangível ...
...e depois o abismo...
Por vezes tenho uma necessidade imensa de desaparecer ...
As pessoas que amo.. os meus amigos de sempre ..
... que penso que sabem bem quem são...
Nem sempre me entendem ..
É como hibernação ..
Sempre que há um problema .. algo demasiado .. que não sei resolver ...
Sempre que algo me magoa mais do que sei dizer ...
Eu desapareço ..
Faz parte da minha necessidade de me reinventar .. de renascer ..
De conseguir aceitar uma nova realidade.. uma nova contrariedade ..
De ganhar forças ...
Para conseguir viver sob novas regras .. novas formas..
Mas nem sempre me entendem.. nem sempre me perdoam este meu desaparecer ..
E dou por mim a acordar .. e a sentir a falta daqueles que amo ..
Porque é de amor que se trata ... de saudade..
Sei que ninguém deveria ter que esperar pelo outro ..
Mas cada um tem o seu ritmo ..
E cada um necessita muitas vezes de parar .. acordar .. e mudar ...
... de se esconder .. de sofre um pouco em silêncio ...
Uma certeza porém, é que mesmo que nunca vos fale, jamais vos esqueço ...
"Insieme a Te" (música no início da pág.)
Há músicas que deviam ser proibidas de tão belas...
... de tão tristes.. de tão dolorosas...
Não escrevo,
porque só escrevo quando estou triste...
e como não quero a tristeza
não escrevo!
Busco a luz
Não as trevas...

Recados, Gifs e Imagens no Glimboo.com
Saudade
Que imensa saudade
Surge do nada
Mais viva do que nunca
Atormenta
Fere
Dilacera
Estás-me nas veias
Vício maldito
Que tarda em passar
Saudade
Tanta saudade
Já não quero que passe
Afogo-me lentamente
Em ti
Ser timoneiro
De um barco à deriva
Cujo destino já traçado
É navegar rumo ao abismo
Não foi tarefa que sonhei para mim
Mas os remos tomaram-me os braços
E enredada fiquei
Sem fuga ou esperança possível
Com o passar do tempo
Ventos e marés
Meus braços empedernidos
Madeira se tornaram
E os remos já não são mais
Do que extensões reais de mim
Este navegar constante
Contra a corrente
Durante anos e anos
Tentar adiar o inevitável
O abismo, o naufrágio
Leva-me à exaustão constante
De quem não dorme
Não come
E não ama
Mantendo os olhos firmes na corrente
Estou cansada
Mas tão cansada
Desta viagem inútil
A lugar nenhum
Que se não fosse
Pelos passageiros em viagem
Deixava de remar
Que a corrente me levasse
Até aos rápidos da quebrada
Para finalmente ver paisagens
Em vez de estar sempre no mesmo lugar
Já sinto o barco a encher de água
Uma gota aqui
Uma gota ali
Todos os dias pesam mais
Meus braços
De remar
Para lado nenhum
Meu esforço é inglório
Pois mais não faço
Do que resistir contra a corrente
Mas também não vamos a lugar nenhum
No mar calmo ou agitado
Só,
Sigo viagem
Timoneiro por baixo de sol
Por baixo de chuva
Sem mais ninguém para remar
Tivesse eu tempo para descansar
Virar a cara
Ver outro horizonte
E talvez pudesse mudar de rumo
Mas meus braços são meu remos
E o meu corpo aos poucos
No barco se tornou
Continuo a levar passageiros
Pelos quais tenho que continuar
Em vez de descansar
Deixando-me naufragar
Não posso descansar
Deixo-me naufragar
Votos de um dia feliz, cheio de momentos mágicos junto dos que mais amam
Que o calor da amizade vos aqueça nestes dias tão frios ;)
Feliz Natal!
O meu amor é felino
Indomável
Repentino
Vadio numa noite sem fim
Meu amor é veludo
Perdido em lençóis de cetim
Seu toque é perfume
Despido de jasmim
Meu amor é guerreiro
É audaz
Sabe a mar
Sabe a vento
Seus lábios são tâmaras
Doces
Suculentas
Nos cabelos
A essência forte
Do açúcar, da pimenta
Meu amor por onde passa
Deixa marca de garras
Dentadas na pele fina
De uma pétala doce
De um perfume sem fim
O meu amor vem do calor
Do Oriente
Das terras avermelhadas
Das tempestades e torrentes
De areia fina e quente
Meu amor vive numa lua cheia
Permanente
Sua luz
São raios
São braços de prata
Que enfeitiça
Encanta
E desgraça
Queria tanto saber despertar o amor
em mim
Mas a planta morreu
Deixando um vasto deserto neste lugar
Tenho desejos de sentir
De acordar
Mas como um pássaro de asa ferida
Não consigo voar
Alguém me devolva a capacidade de acreditar!
Apenas poder fechar os olhos e sonhar
Mas o frio devasta tudo neste lugar!
Minha cama
É meu resguardo
Onde nua navego
Nas asas da ilusão
Sinto o conforto
De seus laços
O prazer do toque dos lençóis
Dos imaginários abraços
De olhos fechados
Abandono-me
Liberta de todos os trapos
Voo livre sem restrições
A leveza é tal que flutuo
Os cabelos soltos
Afagam-me as costas
E os braços abrem-se sem prisões
É amor ou luxúria
Não sei bem
Neste conforto
Neste regaço
Minha cama
Meu berço para o sonho
Fecho os olhos
Não sou de ninguém
Toda a minha vida
Vivi numa redoma de vidro
Tentei infinitas vezes
Estilhaçar tal prisão
E por alguns anos,
Anos áureos que vivi,
Julguei tê-la quebrado
Por fim
Hoje dou por mim
Novamente a ver a vida
Passar lá fora
Num misto de realidade e ilusão
Que já não distingo
Quando julgo poder tocá-la
Sinto o vidro
Se houve tempos
Em que lutei
Com todas as minhas forças
Eles passaram!
Hoje continuo a ter a mesma sensação
De vida não vivida
De mera espectadora
Aprisionada no olhar
Sem nunca ter conseguido voar
Com os punhos cerrados
Lavados em sangue
Tentei quebrar
Tal prisão
Mas foi em vão
Esgotada e ferida
Finalmente apercebi-me
Que jamais o conseguiria
Desisti!
Se por alguns anos apenas
Julguei estar livre
Mais não foi
Do que uma mera ilusão
Gerada pelo reflexo
Da vida dos outros
Nas paredes planas e frias
Do vidro cristalino
Que sempre me cercou
Já desisti de tocar
Quem passa
De andar
Para a frente e para trás
Enjaulada
De mudar seja o que for
A realidade
É que logo bato numa parede
Fria
E cristalina
Enganadora
Mas real
E todo o meu esforço
É fracasso
E dor
Hoje já não luto
Já não tento entender
Nem sequer pretendo ver
Olhar para fora
Hoje até me tapo de negro
Para que a luz que atravessa o vidro
Não me fira
Nem me traga imagens
Da vida que nunca poderei ter
Hoje sou eu
Quem se fecha sobre si mesma
Querendo já
Que a redoma não fosse vidro
Mas somente pedra
Sem sons, sem vida
Sem nada
Que me pudesse fazer desejar tal vida
Para que esquecesse
Finalmente tudo
O que jamais poderei ser
Hermética, pura
Mas perdida
Recolho-me aos confins
De mim mesma
Devorando-me
Numa alma sem cor
Já não quero nada!
A luz encadeia-me
Os sons atordoam-me
Os movimentos desnorteiam-me
Num recanto
De um quarto escuro
Escorrego meu corpo
Caído num parede fria
No chão choro
Mas as lágrimas gelam à saída
Atordoada
Numa angustia sem fim
Mutilada por dias iguais
Banais
Já nada espero
Senão o fim
Queria ser a aurora
E não a despedida
Ter-te nos meus braços
E provar-te
Queria só experimentar-te!
Um sabor doce
Um beijo molhado
Queria saber-te
Ouvir-te
Suspiros...
Coisas loucas ao ouvido
Há um homem que eu não vejo
Por baixo de tudo o que sei de ti
Não consigo imaginar-te assim!
Mistério que desejo
Floresta virgem
Selvagem
Que queria tanto desbravar
Primeiro...
Algo morreu
Mas a morte não veio!
Algo em mim quebrou-se
Ouço rasgos de carne
Estilhaços que nunca entendi
Não os sabia aqui
Hoje algo morreu dentro de mim
Sim!
A esperança
Essa esperança que tinha
Uma falsa segurança
Uma ilusão
Um sonho impossível
Uma pedra, uma âncora
O meu último recurso
A jangada
A salvação
Neste mar de tormentas
No meio do nevoeiro
Perdi a tua mão
Caio, escorrego, afundo
Não consigo me agarrar...
Resta-me aceitar o destino
O mar .. o fundo do mar
Como somos cegos
Como somos voláteis
Ah! como perdemos oportunidades
Vidas, amores, afectos
Que cegueira enorme esta
Que nos impede de reconhecer o amor
Que estupidez tamanha que nos faz negar o óbvio
Foram passos e passos
De séculos e séculos
Com as tuas palavras
Foram vidas paralelas
À distância ínfima de um grão de areia
Mas que infinita distância essa
Como foi possível
Não cruzarmos as linhas das nossas mãos?
Que vento levou para tão longe
Esta doce ilusão?
Oh minha Mãe
Minha Mãe Natureza!
Se não fosses tu
Como seria insuportável acordar
Teus raios de sol afagam-me
E dão-me o calor que desejo tanto sentir
Tua brisa acaricia-me devagar
E teu vento me solta ao luar
Meu amante, meu mar
Eu em ti descanso
Entrego-te o meu corpo
Me deixo levar
Doce embalo
Descer ao infinito azul
Glorioso amanhecer
Na terra quente e húmida
Cravo pegadas
No verde de um prado
Corro solta à chuva
Oh minha Mãe
Sem ti
Não haveria razão para viver!
A solidão vai envolvendo-nos
Num manto escuro de retalhos
De memórias
E num vazio
Retomamos ao que somos
Ao que nunca fomos
Não sei bem o que sinto
Mas algo dói cá dentro
Estremece o meu corpo
Tenho frio, fome
E esta dor que me consome
Que vazio súbito este
Que perda, que lágrima
Fiquei tão perdida sem ti!
Como fui capaz de pensar
que ficarias para sempre à espera de mim?
Ingénua loucura
A minha sombra partiu
O meu anjo da guarda voou
Fique só!
Tão só!
Que perplexidade
Que silêncio
Ainda não percebi bem como ou quando
Mas partiste ...
Tive que te perder para perceber que afinal existes ...
Tenho um paraíso só para mim!
Criei-o mesmo aqui
E agora que tenho tudo o que necessito
Porque tenho que sair daqui?
Não quero nada!
Não me dêem nada
Não têm nada que eu queira aqui!
Não quero festas, nem conversas
Carreiras, status ou posições
Só a minha liberdade
O meu verde
O meu mar
Quero o infinito estrelado
Tudo o que não me podem dar
Tudo o que já tenho e que me querem tirar
Não quero ser nada, nem ninguém
Nem qualquer piedade
Desejo apenas ficar aqui
Rindo tonta por coisa nenhuma
Brincar como uma criança
O trovão ao longe que me alcança
A chuva cai impiedosa
Na escuridão
Na névoa
Fervilha meu sangue
Meu corpo
Minha raça livre
Cigana
Estou cansada!
Demasiado cansada
O corpo desistiu de mim
Agora arrasto uma carcaça
Como estou cansada!
Aquela cama espera-me
Mas sei ser longe demais
Fico mesmo aqui
Agarrada a um banco
Algures no cais
Eu luto, mas o corpo desistiu
Nunca pensei que a idade fosse assim...
Uma luta desigual
Uma alma de luz
Num corpo morto, degradado,
velho e triste
As dores já são tantas
Que sucumbo
Nunca suspeitei desejar o sono, como desejo
Nem a cama que sempre desprezei
Hoje são eles o meu maior ensejo
Dormir!
Dormir um dia, um ano...
Afinal viver é ter um único destino
Dormir a eternidade
Num descanso
O infinito ...
Não queria ser ninguém
O anonimato, sei, que me fica bem!
O invisível minha cor favorita
Não queria ter para onde ir
Ou que fazer
Nem sequer queria um nome,
Mas tenho-o ...
Tantas coisas que não queria ter
E tenho!
Mas tudo o que tenho
É na realidade a prova mais ampla
De tudo o que me falta
O impossível
É aquele abismo a nossos pés
A vertigem que chama
Que cativa
Numa doce tontura
O infinito ...
Tão perto e tão longe
No limiar do equilíbrio
Chama-nos
E esquecemo-nos
Que tudo finda
Por momentos abrimos os braços
E acreditamos poder voar
A nossos pés
A fronteira entre a terra firme
E o simples ar ...
Quero esquecer o amanhã
Quero esquecer o que faço
O que me espera
Quero esquecer quem sou
As horas, os dias
Esquecer simplesmente que existo
Todos os lugares
O mundo
Tudo!
Existindo somente, simplesmente
Olhando o infinito
Mas não vendo nada
Assim permaneço..
Longe de tudo e de todos
A Humanidade dissipa-se
Limpando o ar, a mente
Não quero nada
Não pretendo nada
Nem procuro nada
Apenas ser ninguém!
Quero esquecer que o amanhã existe
Viver apenas este momento
Agarrá-lo desesperadamente
Lúcida de mim
Sei que o amanhã
Não me interessa nada!
Hoje paro o tempo
E dispo-me de mim
Hoje sou nada
Tomara ser sempre assim...
Amor, que te desencontras
Tardas como o amanhecer
Numa noite escura
Já sem lua
No entardecer da minha vida
Já não sei se te procuro
Se te desejo ...
Neste meu viver
Tão só me tornei
Que o silêncio me seduz
E a noite
Guardo-a só para mim
Na luz, nas alturas
Amor, quando um dia
Entrares pela porta
Ou somente espreitares a janela
Talvez a encontres fechada
Pois coração que não ama
E corpo que não sente
Torna-se definitivamente independente!
Saberás tu
Estranho que passas na rua
Que quando olhas os meus olhos
Perdes um pouco de ti?
Sim! Tu que gentilmente
Me seguraste a porta
Ou tu, que apressado
Seguias caminho
No passeio molhado
Da nova aurora
Os teus olhos nos meus
Por meros segundos apenas
Dizem tanto de ti!
E sinto tuas dores como minhas
E tuas perdas e vitórias
Tua desonra e tua memória
O desalento
A face fechada
O sorriso nervoso
Baixas os olhos apressado
Como quem se sente roubado
Sim! Tu, estranho que passas na rua
Quando cruzas o teu olhar com o meu
Tua alma desnuda-se
E sei tudo o desejas esquecer
Tudo o que nem ousas dizer
E sinto-o como meu
Há dias
Cruzei-me com um homem...
Daqueles homens
Que por mais acompanhados que estejam
Serão eternos solitários
Destacam-se na multidão
Sim! Desses!
Como seres alienados e sós
Olhei-o nos olhos
Já temerosa de sentir
O que sinto geralmente
Mas nada...
Simplesmente um enorme vazio
Uma imensa escuridão
Um buraco negro
Seus movimentos lentos
Seu olhar baixo
Curvado até
Pareciam demonstrar
Um homem vergado pela vida
Contudo seu olhar nada me revelou
Nem revolta, nem ódio
Nem amor ou compaixão
Nada!
Surpreendeu-me esta capacidade
De tecer infinitos num olhar
De criar abismos.. tantos
Uma profundidade imensa
Superior ao mar
Não foi um olhar frio,
Mas também não foi quente
Simplesmente não existia
E ao mesmo tempo a profundidade do seu olhar
Dizia-me o contrário
Algo tão denso
Tão lato
Tinha que ter uma fonte
Transbordava, emergia
Como poderia ser desprovido de sentimento?
Como conseguiria escapar-me assim?
Contudo, ele continuava uma incógnita para mim!
Estendi-lhe a mão e olhou-me nos olhos
Disse-me umas poucas palavras de cortesia
A sua mão fria, morta na minha
O seu olhar parado, perdido, profundo
Iludia-me como espelhos de vidro
Que reflectem-se entre si
Quem é?
Não sei!
Talvez nunca saberei
Não encontro muitas pessoas assim
Mas sei que quando ri
Sua face se ilumina
E seu olhar brilha
Rosado numa fonte de luz
Desmentindo tudo,
Mas tudo,
O que aqui se diz!
Gostava de o conhecer melhor
Sim!
Para descobrir a alma quente
Senti-lo apaixonado
A febre que o emudece
Tudo o que oculta ferozmente
Nesse olhar de vidro
Que me engana
Reduz, escurece
Um dia saberei...
O que sinto saber já
O que me oculta
Não sabendo, provado está
Que o vidro reflecte
O calor que derrete
A alma fria
Quantos anos passaram
Talvez dias apenas
Momentos
Não sei!
Julguei estar livre
Do teu encanto
Que engano!
Receio sempre que tenhas morrido
E eu aqui sem te saber vivo
Quando tenho essas angustias
Procuro por ti
Venho encontrar-te
Renovado
Evoluído
Em tudo o que li
Se por um lado é maldição
Ver-te mesmo quando não te procuro
É também alívio o que sinto
Quando na televisão ou numa revista
Revejo-te tão seguro
A vida tem destas graças
Querer-te não te querendo
Temendo que um dia não existas
Mas não existindo eu para ti
É!
Há coisas que não morrem
Só porque as matamos
Por si só não chega
Fico feliz por ti!

Talvez...
só me interesse
por homens impossíveis
porque sendo impossíveis
não há perigo
de acontecerem ...
"pensamento do dia"
Lótus
.. tempo de despertar ..
mas o sono
ainda é tanto
e o sol
demora a chegar
que dormência
a minha!
que preguiça
imensa ...
ainda o frio
arrepia
que vontade
de não acordar
Votos de Um Excelente 2006!!!

Para todos os q por aqui têm passado
venho desejar-vos calor ...
calor humano
ânimo
aconchego
amor
e muita, muita saúde
Feliz Natal!!!
E despi-me de tudo o que era rico e belo...
E cobri-me de negro
Lavei a cara
Até ficar branca como marfim
Cortei o cabelo
Que me caia pelas costas
Como um manto de cetim
Dos saltos altos agora pés descalços
Dos vestidos sinuosos vermelhos, fiz trapos
Nas pedras ficaram
Brilhantes, lantejoulas,
E diamantes sem fim
E cobri-me de negro
Não pretendo o teu olhar quando passo
Nem tão pouco despertar desejos
Ou incendiar ensejos
Olhos nos chão qual mendigo
Neste meu caminho
Escondo-me na noite
Manto escuro
Para ninguém me encontrar
E escondo o corpo e o olhar
Não vá ele te cativar
Sombra das sombras
Me tornei
Para nunca mais amar
Todos me olham inquietos
Imaginando mil horrores
Em tão vasto manto
Só eu sei quem fui...
Quantos desejos despertei ...
Eremita de mim, sou!
E só ficarei
© Photo Copyright Andrés Aquino
Quando eu choro
Choro pelo desgosto que tenho
Choro por todas as vezes que já chorei
E choro por todas aquelas em que nem sequer pude chorar
Quando eu choro
Choro por todos aqueles que já perdi
Todas as feridas reabrem
Sangram ...
E o choro silencioso escorre em cascata
Lágrima a lágrima
Lembrando tudo o que eu perdi
Tudo o que eu não tenho
E tudo o que eu não sou
Quando eu choro
Há um gemido silencioso
Estrangulado à nascença
O corpo mantêm-se imóvel, rígido, inerte, morto
Face estática de olhar parado e fixo
Quando eu choro
Há estilhaços por toda a parte
Laminas q me esfarrapam por dentro
Cortes que me matam devagar
Dor, prolongada agonia
Ah quando eu choro
Sangram-me as veias
Enrigessem-me os ossos
Contraio os espasmos, a dor
E tudo por dentro se contorce
Se desfaz ...
A cabeça roda numa dor latente, aguda e voraz
À velocidade da luz passam imagens
De tudo... mas mesmo de tudo!
Tudo aquilo que um dia me magoou
Ferindo-me novamente
Com uma intensidade imensa
Igual ou mesmo superior
Acutilante...
Quando eu choro acumulo as águas de todos os rios
Que transbordam levando tudo o que sou
Para parte nenhuma
Sem destino algum
Deixo-me arrastar pela tormenta
Num vórtice de escombros
Pedaços de vida
Amor, ódio, fúria, desalento
Sentimentos contraditórios
Quando eu choro
Choro também por tudo aquilo que ainda vou chorar
Por tudo aquilo que sei que vou perder
E choro até o choro dos outros
Quando eu choro...
Chove sempre torrencialmente em algum lugar
E quando a chuva bate na minha janela
Sei que posso parar de chorar
Pois ela chora no meu lugar
Colo a face ao vidro e junto minhas lágrimas às dela
Cadenciada, tilinta devagar
Exausta cedo-lhe o meu lugar
E vejo as minhas lágrimas no seu olhar
Fica um vazio imenso
Um silêncio
Quando eu choro
Choro todas as lágrimas que nunca chorei
Sinto a dor como nunca a senti
E morro, devagar ausente
Numa expressão
Num olhar
Quando eu choro
Choro porque já não há lugar para mais lágrimas cá dentro
E a água sai devagar
Como se extravasasse somente
As dores vão-se acumulando com os anos...
As lágrimas também!

...é tudo o que me faz falta
tudo o resto
é nada
- Porque choras?
- Porque não sou livre
Vês aquele azul lá longe?... é o mar
Vês este azul que nos envolve?... é o céu
Sentes este vento que nos despenteia?
É a liberdade...
Ontem menti-te!
Quando me perguntaste se te amava acima de todas as coisas, eu disse que sim
Menti-te!
Amo a liberdade ....
- Sou eu?... Sou eu quem te tira a liberdade?
- Não, não és tu... é a sociedade
Se me visses agora
Que desilusão terias
Olhos de criança
Num corpo de mulher
Sem jeito, sem graça
Mirando estrelas
Ventos, mudança
Sonhos no olhar...
Esqueci quem fui
Perdi quem era
Névoa esquecida, perdida
Nos tempos de outrora
Já não sou o teu desejo
Nem o de ninguém
Vivo apenas olhando quem passa
No corpo emprestado de alguém
Quem eu era deixou marcas
Mas quem eu sou já ninguém sabe
Das roupas amarfanhadas
Resta apenas o perfume
Das noites vividas aluaradas
Do cheiro da terra e da chuva
Nas pedras da minha calçada
Ah Lisboa minha terra
Tantas ruelas perdidas
Tantos passos trocados
Na história da minha vida
São teus prédios testemunhas
Do mal dos meus dias
Outrora vivi na noite escura
Nas vielas e arcadas
Fado
Desventura
Sou agora e apenas
Mulher menina
Sem graça, sem jeito
Olhar vago, quebrado
Na luz do dia
Precisava beber dos teus olhos
A água de todas as fontes
Para poder escrever
Como escrevia outrora
Na fertilidade dos sonhos
A loucura ... os suspiros
Vertigens coloridas
Cascatas sonoras
Mas o luar tomou forma
E a noite morreu
Nas tuas pálpebras fechadas
Cálida aurora
![]()
O ano novo chegou!!!
Que seja um ano cheio de saúde e felicidade para todos nós
Tudo de bom!!!

Para todos que por aqui andam os meus votos de uma noite abençoada ... que estejam quentinhos ... de corpo e alma ;-) .... e junto dos que amam
Muita Saúde!
Muita Felicidade!
O que sobra
É eu gostar de mim
Como eu gosto
Recostar-me na parede fria
E sentir o calor de um abraço
Rodopiar em mil saias
E amar-me ao espelho
Segundos... horas
E mimar-me
Em tecidos quentes
Macios ... sedosos
Quando tudo falta
Quando tudo é nada
O que sobra
É eu gostar de mim
Como eu gosto
Há um deserto em mim
De areia fina escorregadia
Pura, constante, dormente
Funda, alheia, só
Areia calma quente e fria
Dunas de nada, de ninguém
Minhas auroras mortas
Puras...
Muitos procuram Oásis
Eu, apenas o deserto
Nada nem ninguém
São ínfimos os grãos de areia ... infinitos os desertos
... o 36º
... sinto-me cansada
... viva ... apesar de tudo
Acabaram-se as noites aluaradas
O meu lobo morreu.
Era meu, mas eu era mais dele
Queria abraçar-te
E sentir o teu pelo quente e sedoso
O teu olhar doce e meigo
A tua pata na minha mão
O teu uivo na noite
Sem duvida o meu melhor amigo
Meu companheiro
Eras a minha consciência
Indomável, persistente, audaz
Mataram-te
E eu morri contigo
Olhaste-me
E com um simples olhar
Criaste um mundo
Perfeita harmonia
Floresceram sorrisos
Desapareceram dores e agonias
Olhaste-me
E descobri-te e descobri-me
Num poder que desconhecia tão meu, tão teu
Numa fusão .. um olhar ... uma alma
Subitamente nada fazia sentido,
mas parecia tão certo
E de repente tudo estava tão bem
como nunca havia estado antes
E gelaste-me com o teu fogo
E surpreendeste-te com a tempestade
Poderosa, mas mansa
Quente, mas fria
Sonhos, crianças
Olhaste-me
E apenas num olhar fomos tanto
E tão pouco
E esse olhar prendeu-te, prendendo-me
E no teu medo, o meu medo
Olhaste-me
E sem dares conta ficaste meu
Prisioneiro de água revolta
Náufrago de mil temores
Perdido ...
Olhaste-me, mas já não me olhas mais
Habitas agora os meus olhos
E por o saberes e o adivinhares
Os teus olhos vagueiam no chão
Fingindo desconhecer
O que a tua alma sente
Essa alma que agora me pertence
Se encontra cativa
Em troca da minha
Olhaste-me
E um dia olhar-me-ás novamente
Pois o teu olhar é meu
E o meu olhar te pertence
Hoje descobri que não sei amar...
Os homens da minha vida
Vieram e foram
E o amor passou
Morrendo pouco e pouco
Como uma planta sem água
Que um dia plantada
Murchou esquecida
Por quem a plantou
Hoje sei que amo demais
Não sei amar de outra maneira
Mas essa não é a forma de amar
Verdadeira
Só sei ser como sou
Dizem que para manter um amor
Há que lutar, subjugar
Superar, dominar...
E eu não sei amar assim
Sei apenas demonstrar que penso em ti
Em bilhetes que deixo espalhados
Nas tuas roupas, no teu quarto
Não peço mais do que te dou
Mas sei que é pedir demais...
Não sei amar de outra maneira
E quando finalmente percebo
Que o desengano se enganou
Parto solitária
Buscando a minha loucura
A minha paixão
Solidão
Não busco outro amor que não o meu
Feito de sentimento, de afecto
Algodão doce
Dá-me o que te dou
E dar-te-ei estrelas
Porque não o universo?
Uma planta que nasce
Dando frutos que ninguém aprecia
Mais valia estar morta
Do que florescendo noite e dia
Sem se ver
Só erva daninha alastra sem ninguém a tratar
E o meu amor é a mais fina flor
Que plantado cresce viçoso
Esquecido, morre de desgosto
Partindo para outro lugar
E o dia nasceu igual
E queria-o tão diferente
Da imutabilidade
Apenas desejo
O sol e a lua
O mar...
Acordar
E viver num mundo quadrado
Porque não triangular
Abrir os olhos
E ver o sonho
Em vez do sonho no olhar
O piano embala, adormece
As teclas são estrelas que alcanço
Na imensidão do espaço
O som propaga-se
Levando-me
Em pequenas gotas de orvalho
Lágrimas inadvertidas
Cadentes
As marés vão e vêm
Como o pulsar do coração
Ritmado, compassado
Vivo
Tudo o resto está morto
O dia nasceu igual
E queria-o tão diferente
Tristeza
Que me invade os sentidos
A solidão é um convite
À morte dos dias
Lágrima que já não cai
Olhar dormente vazio
Nas últimas horas dos dias
Sofrimento
Que já não tenho nem sinto
Tu... ilusão, condeno
Feitiço quebrado
Aurora negra
És meu sangue parado
Morto, vidrado
Vazio
Tudo deixou de ser
De estar, de existir
Resta-me o vazio
Do meu olhar parado
Cálido, num corpo sem vida
Sentir
Qual sentir?
Se já não sinto quem sou
Nem sinto quem és, o que és
Ao que vens
Em mim nada habita
Nada floresce
Geada de pedra cresce
Erva daninha
São meus braços troncos
Estéreis, frios
Onde tudo finda
Fecundo é o mar que lava a alma
Na noite negra do meu baptismo
Rosa dos ventos
Perdida seara...
O fogo purifica os corpos
O mar os olhos...
Tristeza
É amar sem ser amado
É nunca ter sabido amar
É estar só e não saber ser gente
Tristeza
É ser tudo e não ter nada
É ver quem passa
Não tendo para onde ir também
Tristeza ... ah tristeza
É ter um sentimento que já não tenho
É saber-se nu sem ter o que vestir
É saber-se amado e não amar
És triste tu
Que só, continuas tua vida
Condenando a minha
Forma estranha de viver
Sábias palavras
Só é triste quem quer ser
Eu invento-me e renasço
Num mergulho profundo
No centro da terra
Pelo mar subo
Ao fim de mim
E quando julgares que é esse o meu fim
Estarei olhando quem passa
Rindo miséria e chorando desgraça
Pois eu serei sempre assim
Hoje não me apetece escrever
Porque para escrever
Diria muito do que não quero dizer
Hoje não
Não vou escrever
As letras arrastam-me
Enfurecem-me
Desafiam-me
Mas não vou escrever
Não vou dizer o que me vai na alma
Que te feriria
Que te desgostaria
Hoje mantenho as palavras controladas
Rédea curta
Euforia
Não, hoje sou eu quem manda
Sou eu quem determina
Nada além de mim
Ficará escrito
Teimam em cascatas
Aparecem do nada
Ferem-me os ouvidos
Loucas palavras
Estrangulam-me a garganta
Evadem-me pensamentos
Gritos, alentos
Mas hoje
Só silêncio
Olho-te ...mar calmo
De rebeldia vulcânica
Escondida mas viva ... que fervilha
Dominas mas libertas
Em mim lago parado estagnado morto
Acorda-me os sentidos devagar
Uma centelha dessa rebeldia flameja no olhar
Mas este corpo dormente
Não reage
Empedernido mantém-se no lugar
Desperta-me devagar
Tento partir
Fazer o caminho inverso
De um rio
À nascente
Com ânsias de subir em vez de cair
Sentir novamente as pedras, forças, obstáculos
Vontade de chegar
Sentir o pulsar
Debater-me contra a corrente
Navegar
Lutar
Neste desaguar de águas calmas
Estagnadas
A minha morte
És mar que pretendo alcançar
Envolver-me nas tuas ondas
Naufragar
Sou de águas límpidas mas revoltas
Sou de além-mar
Sou vento... maresia
Sou tudo e nada
Mas sou lágrima
Esse mar no meu olhar
Salgado, revolto
Indomável
O meu mar é onde quero chegar
Ao sabor do vento velejar
Nos silêncios das vagas
Me encontrar
E em ti naufragar
Tu, meu mar
Meu céu
Meu olhar
Vou cair
Me abandonar
Vou deixar esta corrente
Me levar
Ao fundo de mim
Poço escuro
Águas turvas
Morrer
E nascer noutro lugar
Disseste-me “vem”
E eu fui
Fui não porque me tenhas iludido ou te mascarado
Mas porque trazias as mãos cheias de sonhos e flores
E eu precisava tanto acreditar
Saber-me viva com capacidade de sonhar
Acusaram-te
Maldisseram-te
Mas fui eu quem se iludiu
Persegui quimeras
Fui porque estava morta
E os dias passavam iguais, devagar
Lutava, lutava por me libertar
Mas cada vez me fechava mais
Enredada chorava.... e os dias banais
Até que nem chorar conseguia mais
Morri aqui, devagar
Nessa morte lenta, dia-a-dia
Fechei-me num casulo
E a certa altura já tinha medo de voar
A luz feria-me ... o som atordoava-me
E tudo o que eu queria era esquecer
O medo que paralisava
Vieste e eu fui
Porque morta estava
Mas esqueceram de me enterrar
E eu necessitava tanto de acreditar
Nos teus braços encontraria a paz
Que queria tanto sentir
E nos teus lábios o sabor do amor
Que convidavas
Acordaste-me deste torpor
Trazias sonhos fabricados à minha medida
Sonhos bons demais
Oferecias-me os teus braços
O recomeço noutro lugar
E eu fui
Deixei tudo para trás
Perdi tudo o que tinha
Mas que tinha eu
Se morta estava neste lugar...
Nos teus olhos miragens
Quimeras e viagens
E eu fui
Sou-te grata toda a vida
Por um momento apenas
Nos teus sonhos vivi
Há dias em que o mundo pesa demasiado
Sinto o abismo
A terra cede, abre-se em dois
Arrastando-me
E todos os ventos da discórdia
Juntam-se num turbilhão negro
Infernal
Sufoco
O dia escurece
Mas a noite não chega
Sinto o peso de todos os males,
De todas as dores
Como minhas
Sinto-as
Ferindo-me ...rasgando-me
E choro
Abate-se a discórdia,
A contrariedade
O desânimo
Nada parece estar bem
A certa altura nada corre bem
Há um vórtice que nos suga
A alma, a força, a vontade
Tudo parece perdido
Tudo é vão
À medida que somos arrastados
Para esse mundo em ebulição
Para essas trevas, essa maldição
Somos prisioneiros do medo
Da frustração
Há dias em que o mundo pesa demasiado
Nesses dias
Liberto um pássaro
Um pássaro de fogo
Que bem podia ser de papel
E deixo-o tomar o vento
O sabor da maresia
O rumo das chamas
E ardendo liberta-se
Mais alto do que alguma vez ousei subir
E aprendo a olhar o mundo entre as nuvens
Vendo todos os continentes
Alargando vistas
Desflorando horizontes
E soltando a pequenez
Comando o sonho
Nos dias em que o mundo pesa demasiado
Há que erguer os olhos ao céu
E desejar voar
E voar mais alto
Sacudindo penas
Estilhaçando mordaças
Libertando amarras
Subir ao limite do azul
Mesmo que para isso perca tudo o que sou
Hoje
Vou sair para a rua
E correr ... correr sem parar
Sempre para alcançar
O meu refugio
Antes que seja tarde
Tarde demais
Para algo mais
...
Vou fugir
Depois cansada
Vou parar entre os arbustos
Olhar felino
Sentidos apurados
Vou desistir
Corri, corri tanto
Uma fuga desesperada na noite
Negando tudo o que sou
Deixando para trás o simples mortal que tenho em mim
O racional
O explicável
O certo
O correcto e o previsível
E fugi
De nada serviu
Algo mais forte
Avassalador
Tomou conta de mim
A minha mente parou
O corpo rendido
Ajoelhou
O grito nasceu impar
De sentimento
De liberdade
Aprisionado sentir
E na noite escura
Rugiu, rosnou, uivou
Mais uma vez de nada serviu
Negar quem sou
Correr, fugir...
Algo mais forte me tomou
É sempre assim
Quando os Homens me tentam domar
Ela mostra-me quem sou
Lá no alto
Inatingível, intocável
Domina o meu ser
Castigando-me por eu tentar ser o que não sou
Hoje renasço
E choro de tristeza e de alegria
Hoje sou livre
Por uma noite apenas
Enquanto o encanto durar
E ela brilhar
Sou imortal
Nesta noite aluarada
Minha pele é de prata
E há um riacho que corre cristalino
Tilintando nas pedras verdes azuladas
E a brisa é calma e doce
E eu danço e danço
Rodopiando descalça
Hoje a Lua sou eu
Em noites como esta ... madrugadas
Olho para trás
E pergunto-me
“Foi real?”
“Aconteceu mesmo? .. tu e eu?”
E tento recordar pormenores que me façam acreditar que exististe
Que não fui eu que te inventei na noite escura
Alucinada pela solidão... pela loucura
Agarro-me às memórias para acreditar que vivi
Mas o tempo não perdoa
E leva-me a duvidar
Que alguma vez tenha sentido o que senti
Que te tenha tido...que me tenhas tido a mim
Enlouqueço com o medo de perder o que nunca tive
Já não sei se foi real ou ilusão
Mas queria ao menos manter o sonho
E até esse me escapa por entre os dedos
Negando-me momentos
Que desejo tanto recordar
Exististe mesmo?
Ou terei eu te inventado numa noite qualquer
Para fazer face à minha loucura ?
Este vazio ... esta distância ... é mais cruel do que a solidão
Já nem as memórias são minhas
Perco-te todos os dias
Paixão que me devoras
Febre que me atordoa
Pele renascida
Aflorada no sentir
Carne viva
És tu a razão do meu existir
Sonho contigo
Paixão avassaladora
Alimentas o meu sentir
Saudosa tontura
Pele que chora a tua
Sangue que circula
Coração ritmado
Olhar de medo
Medo de não te ter
De te perder
De não te encontrar
De não te saber
E querer te provar
Ter o gosto da tua boca
Lábios sedentos de ti amor
Eterna loucura
Aquela mulher que amaste
Vi-a morrer nos teus braços
Como uma flor
Murchando lentamente
Perdendo a cor
As pétalas
Os dias
Aquela mulher que amaste
Morreu nos teus braços
Naquele dia em que sorrias
Olhando-te nos olhos
Dizia “morro em ti”
Fui sua confidente
Nas lágrimas
Nos dias
E testemunha silenciosa
Escondida
Sombria
E eram tuas as palavras que se ouviam
Que aumentavam a voz
No eco abafado
Dos seus murmúrios
E eram tuas as gargalhadas
Que ecoavam sonoras
Abafando as lágrimas
Aquela mulher que amaste
Morreu por ti
Eu vi!
O seu último suspiro
O abandono do corpo
Sua mão caída
Ferida
Aquela mulher que amaste
Jaz morta e sepultada
Em mim
Foste o vento
O vento que entrou desnorteando sentidos
Derrubando amarras
Estilhaçando vidros
E como o vento passaste
Levando tudo contigo
Liberta-me
Da clausura dos dias
Das noites mortas
Das superfícies frias
Arrebata-me deste sentir
Desta prisão
Acorda-me deste torpor
Fá-lo sem temor
Devolve-me a vida
Rouba-me um beijo
Acorda o desejo
Liberta-me com fervor
Leva-me em teus braços
Rasga-me estes trapos
Desnuda-me a alma
Faz-me sentir
No teu olhar
Rasgado de luar
Ama-me somente
Como se a noite
Não fosse mais dia
E tudo o resto não importa ...
Por vezes sinto uma paixão louca
Nascer dentro de mim
Lava incandescente
Um calor premente
Uma torrente de alegria sem fim
Não sei como ultrapassar
Este sentimento
Que me torna cega mas feliz
Ávida de tudo
Desejo infinito
Sou assim
Apaixono-me ...
Por cidades, ruas e jardins
Passeio-me louca
Maravilhada de tudo
No sangue a certeza
De um fervor sem fim
E no olhar o brilho
De quem ama perdidamente
Paixões voluteies
Que mudam a cada esquina
A cada ideia nova
Nos sentidos despertos
Num entusiasmo novo
Intenso e louco
Em cada momento
E dou-me totalmente
Em tudo o que faço
Apaixonada
Ergo monumentos
E desenho metas
Assim...
Ávida de conhecimento
Curiosa ... fascinada
Vagueio na vida
Sentindo extremos
Apaixonada ...
Sinto demasiado
E amo e odeio
Brinco e choro
Morro e renasço
Ardo no fogo
De cada projecto novo
E fecho-me
Em esferas de calor
Desço ao inferno
E volto ao sabor
Do vento
Do tempo
Para renascer
Noutro lugar
Numa ideia
Numa vontade
Nova de tudo
O meu destino
Destruir e reconstruir
Tudo!
Não sou de muitas palavras
Nunca fui!
Existe em mim uma necessidade de silêncio
Premente
E limito-me a dizer o insondável
O extremamente necessário
O urgente ... o aflitivo
Não que o seja da minha parte
Mas sim dos outros
Que com olhos postos aguardam
Expectantes
Umas palavras quaisquer
Numa ânsia desmedida
De as conhecer
De as beber
E assim pronuncio-as
Finalmente
Mas palavras são apenas isso,
Palavras!
E mal são ditas perdem o significado
Que tinham antes de proferidas
Como se de uma magia qualquer se tratasse
E o poder só existisse enquanto fechado,
Secreto e sacramentado
Depois de ditas
São banais
Vulgares
Iguais
Palavras
São armas de arremesso
Doce afago no coração
São punhais, terrível traição
São desculpas esfarrapadas
Tristes notícias nos dão
Palavras
São tantas vezes enganos
Tanto faz de conta
Tanta falsa emoção
Deixámos há muito de comunicar
Construímos apenas castelos
Mas no lugar das cartas
Fizemo-lo de palavras
Que do mesmo modo tombam
Perante a realidade de uma acção
Palavras deixaram de ser ditas com o coração
Dizemo-las convictos de nada dizer
Sabendo que caminhamos sem direcção
Palavras são escudos de bem parecer
Ocas de significado sem vontade ou lição
E assim as palavras deixaram de ser
O que diferenciava um ser de outro ser
Palavras
São apenas palavras
Desprovidas de valor
Sem significado
Morreram
Solitárias
Na tinta
Apagada e envelhecida
Dos tratados
E condados
Num outro tempo
Noutro lugar
No passado
Adormecidas
Diz-me tudo o que quiseres... mas não mo digas por palavras
Vem...vem namorar...
Quero tanto sentir os teus braços
No teu e meu abraço
Mãos nas mãos sorrindo
Olhos nos olhos beijando
E ao teu toque viajar
Partir para outro lugar
Vá lá .. Vem ter comigo
Vem namorar
Quero tanto estar contigo
Mexer no teu cabelo
Beijar-te a testa
Cingires-me a cintura
E ficarmos assim
Por um momento só os dois
E fazer-te carinhos
E mimar-te tanto
E os meus olhos
Nos teus olhos de criança
E sentir na minha face
Essa barba a arranhar
Um arrepio
Uma madeixa despenteada
Um sorriso ... uma dança
E queria-te aqui para mim
Só para te sentir por perto
Teu cheiro, tua pele ...teu olhar
E perder-me nos teus braços
No teu regaço sonhar
Amarrada em ti
Aprisionar-me e voar
Anda ... vem
Vem namorar
Sentados no sofá
Enrolados no cobertor
Aninhados em nós
Misturados em sabor
E rirmo-nos tolos
Por coisa nenhuma
E fazeres cócegas
E eu fugir e tu alcançares
E estarmos assim
Patetas ...felizes
Vem .. não me faças esperar
Vem namorar
E sermos crianças
Mais uma vez
Brincadeiras tantas
Beijos doces
Felizes lembranças
Rolarmos no chão
Lutar e perder
Ganhar e rir
E por fim no teu calor
Embalar o meu dormir
Há dias assim
Em que o nada impera os sentidos
O vazio espalha-se intenso e livre
Por espaços e arcadas
Deixando entrar o frio
Há dias assim
Em que nada faz sentido
O amor parece perdido
E os corpos dão-se por vencidos
Numa luta desigual
Nestes dias ... que são assim
Perco-me por veredas e jardins
Procurando uma resposta qualquer
Numa ânsia desmedida
Procuro o impossível
Porque há dias assim
Esqueço-me de quem sou
Desta vida
E parto só e rebelde
Para outro lugar
Para FlipFlopFlup
Olho-te nos olhos
Ajeito a saia ... longa ... caída ... solta
Dou um passo e paro
Olho-te...
Um pé desenha meio círculo no chão
Uma mão brinca com a saia
A outra na cintura
Olho-te ... desafio
Viro-te as costas
Num rodopio
Acalmo a saia
Dou mais um passo e paro
Com as mãos acima da cabeça
Palmas ... cada vez mais palmas
Começa o ritmo
Outras palmas se juntam
Corpo que se solta
Primeiro mansamente
Aos poucos
Membro por membro
Espaço no espaço
Tontura
Viravolta
Paro!
Olho-te ... sorriso... desafio
E a perna faz um círculo
Desenha território
É meu!
O espaço .. a terra ...
Mãos e gestos devassos
Palmas .. sempre palmas
Ao som da guitarra
Dos próprios passos
A saia acompanha o deambular das pernas
O corpo contorce-se
Cintura arqueada
Movimento
Som frenético
Olhar hipnótico
Palmas .. guitarras
Gestos largos .. compassos
Mãos que desenham universos
Gentes que se aproximam
Circulo fechado
Quente
Olho-te ... desafio
Viro-te a cara
Cabelos soltos ganham vida
Saia vermelha sobe e desce ...rodopia
Palmas .. alimento
Cresce .. vivo .. quente .. febril
Calor em movimento
Chamas vivas
Tudo é vermelho
O som ..o ambiente
A saia ..sangue quente
fogo ..fervilha
Dou-te as costas
Frenesim de passos
Guitarrada
Voltas e reviravoltas
Paro!
Ajeito a saia
Corpo que reluz
Molhado...
Mão na cintura
Por cima do ombro
Olho-te de lado
Desafio
Vens?
Descalça ou de salto
Flamenca ou cigana
Esta será sempre
A minha dança
Vens como o vento
Olhar rasgado
Sorriso maroto
Com um ar despreocupado
Teus olhos são de criança
Sonhos ambulantes
Estrelas de mil cores
Nuvens.. maresia
Com mil urgências
de ver.. de estar ...de sentir
Cabelos revoltos
Despenteado.. desarrumado
E brincas .. e pregas partidas
O mundo é teu
Olhos postos no Universo
Fé no impossível
Estás em mim
Por breves momentos
E desapareces
És como o vento
Impossível de conter
Agarrar .. fechar
Não tens caminhos
Nem ambições
Sonhas acordado
E vives esse sonho
Olhar feliz.. ávido de mundo
Alegria infantil
Sem preocupações
Encolhes os ombros .. ris
Não pertences a este Mundo
Queria-te só para mim
Mas não te consigo agarrar
Vagueias
Foges nos raios de sol
Evaporas-te no ar
És a face da liberdade
Do sonho
Inacessível magia
Indomável
Gosto de ti assim
A ti amor
Quero beijar-te as mãos
Encostar-me no teu peito
E sonhar
Com os teus olhos
Ver o mundo
E repousar
Dá-me o sonho
Essa capacidade de acreditar
Sentir-te a meu lado
Tuas mãos na cintura
A me alcançar
Ao som de uma música qualquer
... dançar
E aos poucos misturar os corpos
Em tons pastel
Desenhando voltas e compassos
Em ti amor
Acreditar
Num momento apenas
Olhar longe ... ver o mar
Sentou-se na sua Comoda
Frente ao espelho
Coisa que há muito não fazia
Numa tentativa vã de arrumação
Mexeu nas suas gavetas
Encontrou um frasco com restos de perfume
Retirou-lhe umas gotículas
Um cheiro intenso, forte, exótico, quente
Como há muito não ousava usar
Libertava-se da sua pele
Transportando-a
Outros momentos .. outros lugares ...
Mexeu noutra gaveta
Encontrou um batom pronto a estrear
Vermelho escuro
De que já nem se lembrava
Num impulso impensado
Experimentou-o
Delineava os seus lábios de uma cor febril
De amora silvestre... selvagem...
Olhou-se ao espelho
Retirou a fita que tinha no cabelo
E com a escova lentamente
Penteou-o
Como penteava normalmente
Esticando-o ..soltando-o
Mas longamente... em gestos cansados
Lânguidos ... docemente
Olhou-se novamente
Contrastava a imagem colorida e voluptuosa
Com a sua alma caída ... derrotada
Surpreendeu-se
Tinha-se esquecido de quem era
Selvagem...
Sou selvagem
Quando beijo tua boca farta
Agarro teus cabelos
Despenteio-te
Vagueio no teu corpo
Brinco e escondo-me
Roubo carícias e abraços
Prendo-te nas minhas coxas
Amarro-te nas minhas mãos
És meu ... completamente meu
À mercê dos meus desejos
Beijos ...
Ensejos...
És selvagem como eu?
Mentiras são punhais
Cravados ... reais
Na luz do dia.. frontais
Na noite ..escondidos
Nas sombras ..fatais
Partiste e como lembrança
Deixaste palavras malditas
Incertezas mortais
No rastro frases vendidas
Gestos ...
Olhos mansos nos meus
Suavidade nas mãos
Sorriso ... esse sorriso
Nada sei
Nada tenho
Mentiras!
Chamei tantas vezes o teu nome
No amor ... na loucura ... no calor
Será esse o teu nome?
Chamar-te-ia realmente?
Quem és tu que habitavas os meus sonhos?
Tu que sorridente invadias o meu espaço?
Que no meu corpo ganhaste guarida ?
Nada sei de ti
Dizias tanto e tão pouco
Em gestos loucos
Somente o que contavas
Nas meias palavras de ti
Tecias vendavais no meu corpo
E dizias palavras tantas
E que sentido tinham
Na aurora do dia?
As noites foram promessas
Juras ... ternuras
Aninhado no meu corpo
Julguei saber-te em mim
Mentiras, mentiras, mentiras
Que arrancaram aos poucos
Pedaços de mim
E subitamente vejo-me assim
Tiraste-me o chão ...alteraste o norte
Sem raízes ...nem caminhos
Morri aqui
Quem és tu?
Quem sou eu?
Quem fomos nós?
Dispo-me lentamente
Nos primeiros raios de sol
E deito-me fria ... nua ... na terra quente e húmida
Abandono-me
E sinto todo o sabor
Daquele calor
Que lentamente me invade
Me acaricia ... me desnuda
O sol aos poucos vai descobrindo toda a minha pele
e o vento brinca passando ora forte ora manso no meu corpo
Deitada assim
No chão.... na terra.. uma comunhão de sentidos
Natureza que me rodeia .. que me embala
Me desnorteia
Abelhas passam rasando
Num voo picado ... curioso
No último instante se desviando
Pássaros cantam mesmo ali ao lado
Atarefados saltitam-me entre os dedos
Sou uma paisagem qualquer que sempre aqui esteve
Divido o céu e a terra
Fecho os olhos e sinto tudo o que me rodeia ...
O vento ..o sol ... o verde .. os sons os cheiros ... a vida
Estico-me e espreguiço-me e o vento me despenteia
Sem dar por isso sorriu
Todo o meu corpo se presenteia ..
Respiro este ar ..as flores... a terra ...
Tantos sabores ... tantos odores
Rolo na terra quente e húmida abraçando-a
Sinto o seu manto verde acariciando-me ... amando-me
E na minha pele
Arrepios e vendavais
Na chuva miúda que cai
E é tanto sol.. tanto frio .. tanto calor ... tanto viver...
Neste meu sentir
A terra é o meu lugar ...
O verde a minha pele ..
A luz o meu olhar ...
O vento é meu ... sinto-o aqui .. em mim ...
E tudo sou eu
Estou farta, tão farta de ser sombra quando todos os outros são o sol
Farta de ser aquela que te espera e desespera e tu que não vens
Tão farta de te ver em dias certos... nas horas incertas .. de uma noite qualquer
Farta de ser aquela que te ouve as mágoas, os sonhos, as dores
Como uma caixa fechada onde guardas todos os rancores
Estou farta de seguir os teus passos na escuridão do dia
Ver-te por frinchas de janelas, nas esquinas ...
Aguardando um olhar, um sorriso
Nas sombras escondida
E quando passo, o meu reflexo
Deixa um rastro de solidão
Tão fundo
Tão perverso
...
Sufoco neste manto ...
Está escuro.. frio .. e espero
Estou farta, tão farta de ser tudo o que sou
Vou rasgar as sombras e sair para a luz
Vou queimar as asas de borboleta neste meu viver
Que me fulmine um raio no primeiro amanhecer
Vou abrir as janelas ... as portas ...
Vou gritar que estou livre e nesse momento morrer
Mas nunca mais serei sombra de ninguém
Se eu não te amasse como eu te amo
Correria para os teus braços sempre que me chamasses
Que me importaria o ódio dos teus filhos
O abandono da tua família
O despeito dos teus amigos
Se eu não te amasse como eu te amo
Então estaria sempre contigo
Sabendo que isso seria o teu fim
A tua dor .. o teu abandono
O teu desengano
Que importaria isso para mim
Que não sou de ninguém e seguiria viagem
Quando todos te virassem as costas
Te odiassem e maldissessem
Se eu não te amasse como eu te amo
Dizia que sim a todas as loucuras
Iria correndo para os teus braços
Por uns momentos de ternura
E por fim quando ficasses despojado de tudo o que és
De toda a felicidade ..de todo o engenho
Quando fosses condenado por toda a sociedade
Que me importaria isso a mim?
Ahhh se eu não te amasse como eu te amo
Seria louca como tu
E por uns momentos, na febre
Deixaria tudo para trás
Inconsciente loucura
Desejo ardente
Tontura
Mas no fim,
Amando-te como eu te amo
Como suportaria eu
Todas as tuas dores
Repousadas e vivas em mim...
Espelho que reflectes essa imagem
Desconhecida... destorcida
Na dor alheia vejo a minha
Lágrimas silenciosas
Que desfilam na face
Janelas fechadas para o mundo
Onde o gotejar ressoa plácido e triste
Toco-te superfície fria e morta
Espelho que me enganas
Olhar que não vejo
Figura que não é minha
Sinto-te distante e fria
Morte de algum dia
Olhos de vidro
Sorriso de papel
Imagem reflectida
Cristalina
Fecho os olhos
E agora sim
Vejo-me ...
Linda!
Sempre caminhei sozinha
Passos errantes contra o vento
Nas ruas estreitas e escuras
Nas vielas frias confusas
Independente face ao tempo
Destaco-me nas sombras solitária
Em horas mortas loucura
Caminho em passos medidos
Traço caminhos na lua
As sombras é que me guiam
As estrelas me alumiam
E os lobos me acompanham
Aguardando uma fraqueza final
Fraqueja a vontade mas não o passo
Solitária sigo o meu caminho
Nas sombras figuras
No olhar a desventura
Sorriso irónico num canto da boca
Nunca tive companhia que me guiasse
Só, continuarei
A levar os meus passos
Cego és tu que não queres ver o que sentes
Louco és tu que me olhas e desejas mas mentes
Até quando os enganos
Foges de ti mesmo
Nada mais me resta do que o sonho
Vou sonhar contigo
Um amor proibido
Louco, vivido
Sonhar-te
Mãos nas mãos
Olhos nos olhos
Beijo no beijo
Adormecer para nunca mais acordar
E saber-te sempre comigo
Sentir-te a meu lado
Teu corpo no meu corpo alado
E ser feliz
Felicidade inconsequente
Loucura incandescente
Idealizar prazeres
A dois, enamorados
Fechando os olhos
Teus lábios carnudos
Tua pele veludo
Tuas mãos perdição
Prendo-me num sonho
Realidade paixão
Tenho-te no meu sonho
Durmo ilusão
Vou libertar-te meu amor, vou libertar-te
Vou rasgar o meu peito e arrancar-te
Deste coração que sangra
Que seque esta fonte
Para nunca mais sentir
Estrangular o sentimento
Amordaçar o desejo
Matar esta vontade
Vou libertar-te meu amor, vou libertar-te
Fechando as portas
Vou partir
Para nunca mais sentir
Amar alguém que não nos ama é simplesmente inútil
No meu corpo vivem as marcas de todas as guerras
Chagas de todas as dores
Feridas de todos os amores
No meu corpo vivem as cicatrizes de todos os lamentos
Gritos de dor, momentos
São valas de verga
Carne viva
Neste corpo, o meu
Lêem-se todas as batalhas
Escritas a ferro
Desenhadas à mão
E tu amor
Quando um dia me desnudares
Lerás toda uma história
Massacre, martírio dormente
E neste corpo que me deram
Vivo aprisionada
Serei sempre alma
Viva noutro lugar
E nestas marcas fundas da vida
Nas veias, carne ferida
Vou continuar
Sentindo tormentos
E quando um dia meu amor
Olhares o meu corpo
Na pele encontrarás desgosto
Na carne, chaga viva
E se mesmo assim me quiseres
Então amor, oferece-me o teu corpo
Para que a minha alma se encontre
E recupere da vida
Tenho marcas de batalhas sem fim
Mas a guerra será sempre minha
Oh meu amor dá-me colo
Sentir as tuas mãos no meu cabelo
O calor dos teus braços enroscando-me
E poder ser fraca por um momento
Em teu colo repousar
Descansar de guerras tantas
Embalar o meu medo
Enganar o frio
Oh meu amor dá-me um abraço
Para eu morrer ao fim do dia
E sentir as tuas mãos no meu corpo
Afagando-me de mansinho
Neste abraço em silêncio
Amar-te somente
Oh meu amor quero-te tanto
Subitamente sinto saudades
Saudades do que nunca fomos
Das mãos dadas que nunca demos
Dos abraços nunca sentidos
Dos beijos nunca saboreados
Do amor que nunca fizemos
Subitamente as ruas ficaram vazias
Cheias de amantes, de namorados
Silhuetas, risos, cumplicidades
Saudades
Gostas muito de me fazer isto!
Apareces do nada e me convences
Convences de que sou tua
De que estarás comigo
De que serás meu
E tão breve eu acredite
Foges
Já nada sei de ti
Já não te encontro
E triste fico a sonhar
E sonhar é sofrer
Tão breve me habituo à tua ausência
Quando começo a sorrir mesmo sem ti
Quando julgo já estar livre novamente
Então apareces
Detesto isto!
Trilho caminhos traçados
E nesses caminhos cansados
Sou a dor
Aprisionada vivo ... fulgor
Tantas veredas e jardins
Tantas flores e clareiras livres
Cascatas de tilintar límpidas e cristalinas
Convidativas montanhas e mares
E eu aqui presa nestes trilhos de vida
Ambicionando ver mais
Amar mais
Respirar a liberdade que tolda
O sentir que aprisiono
Escrava deste caminhar traçado
Prisioneira de todo o passado
Vivo esquecendo os lugares que não vi
Os caminhos que não percorri
E choro quem não sou
Livres são as Andorinhas
Que voam sem caminho algum
Que saltam dos trilhos da vida
São os peixes .. e outros
Vagueiam livres numa imensidão de azul
E como eu queria essa liberdade
Esse voar e sentir
Correr loucamente
Saltar destes trilhos e perder-me
Libertar-me das correntes
E atravessar todas as portas
E percorrer todos os sonhos
São estes trilhos que me prendem
A caminhos já traçados
Com paragens e solavancos
Sigo viagem
E trago pássaros no olhar e rios a chorar
E os viajantes partem para todo o lugar
Deixando-me ...
Queria sair daqui
E viver
Mas os caminhos traçados são correntes
Trilhos na terra cravados... fundos
Pesado sentir
Amarras que não consigo soltar
Barco que vive para o mar
E eu aqui com tanto olhar
Desejo de partir
Horizonte que me chama
Vento que me convida
Lágrimas que derramo nesse mar
Corrente que me arrasta ...
...Trilho de vida
O céu chora por mim
Verte lágrimas de cristal
Amêndoas doces
Carmim
E eu nesta noite fria choro também
O que o tempo rouba e me faz sentir
E na noite fria não permito o dormir
E eu aqui...
Agarrada ao último suspiro
Ao último momento
Não cedo
Como se de uma despedida se tratasse
Que o tempo passa e o dia rouba
Faço o dia durar pela noite
E não quero que o amanhã chegue
De olhos vivos, acordados estarei
O tempo que possível for
Como num último adeus
Um último olhar
Como se o amanhã não existisse
E com a morte do dia...
Tinha pensado hoje colocar aqui um post sobre a morte.... mas face aos últimos acontecimentos não me apetece ... aliás ... não me apetece sequer falar ou escrever ... apetece-me sim abraçar aqueles que amo e constatar que estão comigo ... senti-los bem juntos de mim ... e num silêncio respeitador ficar assim ... como se fosse um templo ... numa oração muito minha beijar os meus
Preferia talvez hoje falar da vida ... e dizer que somos tontos ... imbecis ... loucos ... quando nos preocupamos com uma borbulha ... ou com uns kilos ... com a roupa ... as marcas ...a moda ... e tantas coisas ... que afinal de nada valem ... perdemo-nos em pormenores sem importância .... em correrias sem sentido ... afinal a única coisa importante já temos ... a vida... e desperdiçamos oportunidades de afectos e sentimentos ... por coisas vãs, fúteis e vazias ... somos tolos...
Solidão que cravas as garras no meu coração
Quanto sangue derramas em lágrimas rosadas
Pálida tristeza me conferes
Agonia de um pranto calado que me fere
São teus rasgos punhais
Sangro em dores
Matas-me devagar
Silêncio que me ensurdece
Frio que me embrutece
Noite de morte
Mal que me atrofia
Coração agreste
Olhar vazio
Até quando?
Sempre!
Sonhar ... é preciso!!!
Por vezes o vazio habita todo o teu espaço como erva daninha ... e alastrando em ti vislumbro esse vazio ... cheio de ti ... transborda.. sai cá para fora e polui .... chafurda na lama ... atira-te ao chão ... e despeja-te de sentimentos ...de dores ... nada és ... fantoche ... de mil cores
Queria ao menos odiar-te e não consigo ... triste de mim ... que em ti vislumbro tudo o que não é ... tudo o que não tens ... falsas ironias ... mentirosas paixões ... em ti nada é...vazio... serás sempre assim
Imitação de vida ... cruel realidade ... olho-te e tenho pena de ti ... sentimento que odeio ... abomino ... mas em ti .. alimento
Todas as desilusões têm o teu nome ... e toda a falsidade veste o teu corpo ... marioneta andante ...
Eu, indiferença ... a ti .. te condeno ... sentimento profano e maledicente .. penar sempre por ti
Quando solto os cabelos
Sou muito mais mulher
E sinto tuas mãos acariciando-me
Tecendo-me abismos...
Solto os cabelos ao vento
E cada vez que lhes toco
sinto-me amada
Por ti .. pela terra .. pelo sol ... por mim
E é este desprender que me liberta
E me faz selvagem .. mulher
E brincando com os meus cabelos
Transporto-me .. sensações tolas e belas
E flutuo num voar que me eleva ao céu
No vento que enfrento me despenteia
Solto num momento ... livre vagueia
E floresce na minha pele indomável sentir
E os cabelos dançam ao vento
Tecendo tempestades e romarias
Sensações loucas invadem-me
Num rodopio solto de magia
Solto os meus cabelos e sou mais mulher
Perco-me em mim ...estranho poder... mistério
Feiticeira ... rainha...senhora... tempestade .. paixão
Abismo...selvagem... indomável... mulher
Sou!
.. e de um momento para o outro tudo deixou de brilhar ... a vida já não era um jardim estrelado na imensidão da noite, nem a luz de uma quimera .. tudo se foi .. e nada voltaria a ser vivido assim ...
... tudo foi visto .. tudo foi sentido ... e no entanto nunca vivi ... nunca senti... forma estranha esta de ser ... onde o nada habita o ser
.. e quando olho em minha volta vejo sempre o que já vi ... tempos idos que vivi .. almas que forjei na dor e na morte de outros tempos
.. quando olho para ti ... não te olho.. nem te sinto .. porque esta não é a minha vida ... mas sim a morte ... a minha
... tu que olhas para mim ... no espaço sozinha.. com olhar sóbrio e distante ... estás à distância de um chamamento e pronta vens se te desejarem ... nas sombras descansas ... e vejo-te sempre no canto das salas ... negro é o teu manto e clara é tua face ... sublime descanso ... calma eterna .. esperas ... e esperas ... por um cansaço ... e tão breve surge esse fraquejo pronta estás a cumprir nossos ensejos ... moves-te suave e lentamente e cais em nosso regaço .. e a noite segue-te comovida ... em choros e lamentos tantos ...escurecendo a vida te despedes ... ó morte da minha vida .. que companhia estranha esta ... me fitas ... me convidas ... e esperando... não adormeces
Abraço ... quantos de nós necessitamos neste momento de um abraço .. um abraço que nos aqueça o corpo, mas principalmente que nos aqueça a alma ... que nos aconchegue ... que nos transmita o calor ... o carinho ... a vida... e ficamos estupidamente parados ... olhando-nos num lamento ... nenhum de nós cedendo esse abraço ... e poderia ser tudo tão bom se por um momento derrubássemos as muralhas da vida e nos abraçássemos
Gosto quando me amas com a fúria das marés
Vivas em ti ... em mim
Debato-me sem convicção
E rendo-me em espuma contra o cais
Avassaladora corrente de águas livres
Que me percorre o corpo em carícias e arrepios
Esse tilintar em pedras cristalinas
Em cascatas, rios e mar
E com o poder dos teus braços me envolves
Em remoinhos e tormentas tantas
Que a minha pele descreve marcas tatuadas
De conchas ... pedras cravadas na areia pelo mar
Sucumbo finalmente na tempestade
Encantos voluteais de um abraço
E num clarão de luz ... procuro-te
Olho-te... e não estás
Não és ... não existes!
Acordei!
No lugar da carne fiz-me pedra
Deixei de sentir o vento ... o tempo
A tua voz já não canta para mim
As tuas palavras não têm sentido
Tudo se perdeu
Tudo é vão
Os olhos negam-se a ver-te
As mãos, a tocar-te
E neste silêncio cheio de palavras
A escuridão abafa o sentir
E já não és meu
E já não te pertenço
Como uma geada ao relento
Quebra-se o fio, o destino
E tu perdes-te no momento
Em lamentos de ninguém
Nada tens
Nada és
Já nada vejo
Já nada sinto
Esqueci tudo o que foste
Esqueci quem fui também
Estranho de mim
Em mim morreste
... ninguém
E assim chegamos ao último dia do ano
Foi mais um ano de enganos ... de recomeços ... de inovações ... de tombos e reconstruções
O facto é que amanhã de manhã seremos exactamente os mesmos que somos agora ... a euforia terá passado e nada terá mudado
E assim a vida passa tão depressa ... em passo acelerado... nem damos pelo tempo girar e girar
E vamos olhar os relógios ... contar os minutos .. os segundos ... como se de alguma transformação se esperasse ... mas não haverá encanto ... nem magia que transforme o mau em bom ... o pobre em rico ... o doente em saudável ... contudo olharemos esperançosos o relógio da vida ... e por momentos acreditaremos ..
E é disso que se trata... acreditar !... acreditar que vamos fazer melhor ... acreditar que mudaremos o rumo de nossas vidas ... acreditar que amanhã fará sol e não frio ... e que todos vamos ser mais felizes ... mais solidários ... mais sãos ... e que a paz reinará por fim
E numa fé cega ergamos as nossas taças .. fechemos os olhos ... e em comunhão por um momento ...desejemos ...e acreditemos...
...2004 será um melhor ano para todos nós !!!
Aleluia!!!
Há palavras tão difíceis de dizer ... como por exemplo ...amo-te ... é daquelas palavras que não flúi ... fica engasgada ... constrange-me!
Para todos os que por aqui andam venho desejar-vos um Feliz Natal !! ... que estejam muito quentinhos ;-))...brrrrrrrr! ... e que estejam rodeados por aqueles que vos amam ... :-))
Que falte tudo menos o amor, a amizade, a saúde e a vontade .. se fossem fáceis de embrulhar seriam estas as minhas prendas para todos vós ;-))
Uma noite abençoada para todos!!!
Há muito que deixei de chorar por ti
As lágrimas secaram–me na alma
Mas este meu corpo desobediente
Cai num pranto
Sempre que sente um vestígio de ti
O telefone toca
Sei quem tu és
Não atendo !
Este coração fechou-se há muito para ti
Mas este meu corpo estremece e soluça por ti
Maldito vicio este
Maldição que se apossou da minha carne
Má sorte esta de por ti ter sido tocado
Este corpo mal habituado
E queria desligar a corrente
Apagar o fogo
Domar este corpo vadio
E fazê-lo parte de mim
Nada mais sinto por ti
Mas este corpo chora
Carícias e enlaços,
Treme, consome-se em mim
E será sempre uma luta desigual
Entre dois pedaços de mim
Sei que não te quero mais
E mesmo assim... este tremor em mim
Nego e renego tudo o que é teu
Nem saberás jamais o que sinto
Morrerei contorcendo-me se preciso for
Mas nesta luta selvagem ...insana
Não cedo...
... eu!
Passei anos a fazer a árvore de Natal sozinha ... e a comprar prendas por todos .. a fazer a festa e a deitar os foguetes ... pois a família por alguns desgostos que tem tido não conseguia ter o espírito de Natal... eu lá com algum esforço tentava todos os anos iluminar a casa ... fazer a festa ... mas ninguém ligava nada ... até que um dia desisti ...
Chegou o Natal e eu não fiz nada ... não fiz nada porque estava desmoralizada ... não valia a pena ... ninguém sequer olhava ou comentava o que eu fazia ... diziam somente "o que fizeres está bem feito" ...."tu é que sabes"... nesse Natal ... não houve Natal ... e ninguém disse nada
No ano seguinte ... também não fiz nada ... ainda para mais trabalhava sempre nesses dias ... pelo que nem valia a pena ...
No ano seguinte, qual não foi o meu espanto, ao chegar a casa na véspera de Natal, os meus pais estavam a enfeitar a árvore todos animados com serpentinas luminosas ao pescoço e fitas nos braços ... e aquilo era uma azáfama de um lado para o outro ...
....a partir desse Natal começámos a enfeitar novamente a casa ... e faço todos os possíveis por não trabalhar nesse dia ... somos poucos ... mas fazemos a festa à maneira ;-)))
Um Feliz Natal para
Todos!!!
Se eu conseguisse parar o tempo por um momento
E guardar toda a eternidade numa mão
E soprar ao vento
O murmúrio ... o lamento
E ter tempo para ti, para ti ... e para ti
Ter-vos sempre aqui
Nem o tempo vos levava, nem a morte vos esperava
E eu, estática, guardava-vos em mim
E fecharia essa mão com força
O tempo não fugiria mais
E tudo se manteria em nós
Num turbilhão de paz
Sem medir espaços ou momentos
Urgências ou cansaços
Poder rir e chorar sem fim
Sabendo-vos sempre aqui
Que bom seria não ter compassos
Nem medir os nossos passos
Ter toda a eternidade num momento
E estarmos só nós aqui
Queria ficar assim
Olhando o infinito
Parar no tempo
...e voar
Fúria que nasce de mansinho na minha alma
...
Raiva que cresce devagar nas profundas entranhas
...
Tremor que invade o corpo lentamente
...
Queria gritar fortemente
Esbracejar firmemente
Avançar contra tudo... e destruir
Deitar abaixo tudo o que me rodeia
Ouvir o som das pedras, dos vidros
Partir, quebrar, golpear, reduzir ...
Acabar com a obra feita
Devolver ao chão as paredes altas
Estilhaçar, ver ruir ... destruir
Atirar todo o meu corpo para frente
Avançar com os braços abertos
Em carga ... gritar ... correr ... partir
Com os punhos fechados
Com os dentes cerrados
E numa fúria insana ... destruir
Como um pintor que rasga a tela
Um escultor que a estátua quebra
Esmagar a areia, furar os tijolos e ver cair
E depois sucumbir no meio dos escombros
Com as mãos sangrando
Chorar, chorar, chorar ... e rir

Deito-me com os lobos
Na escuridão da noite
Entre rasgões e dentadas,
Sou carne sangrada, ferida, maltratada
Deito-me e durmo enrolada
Novelo de corpos
Cheiros, uivos, grunhidos
Frenesim pela calada
A noite vai alta
Madrugada se adivinha
Sangue, arranhões, dentadas
Calor que embala
O sono conforta os corpos cansados
As lutas cessam
...
Sou loba também

Chove ... e a chuva lava a tristeza que sinto tão minha ... tão profunda
Entristece-me a prepotência ... a estupidez mesquinha de quem se julga deus por um momento
Choca-me a incompreensão .. o desamor ... a crueldade ... no trato do dia-a-dia ... nas mais pequenas coisas
Chove ... e com a chuva embalo a alma de quem vive num mundo sem contentamento ... mundo falso ...dos outros... hipócrita ... de sorrisos, muitos! ... vazios .... de nada!
Estou triste ... a chuva parou ... não lava mais o meu jardim ... escuro e sombrio ...recolhe às profundezas da selva .... a nossa selva!
Não gosto do frio ... quando sinto frio .. sinto-me só ...
Sinto toda a solidão ... solidão profunda que me invade de vazio ... o frio das paredes ... dos lençóis ... do silêncio
Não gosto de me deitar ... nunca gostei ... dormir sempre foi para mim um momento de morte ... morro um pouco quando tenho que dormir ... não é o dormir por si só ... mas também ... e aquela cama fria que me espera
Tenho frio ... vou-me deitar ... estou só
Trilho o meu caminho
Passo a fraquejar
Na curva e contracurva
Quero sempre chegar
São trilhos de vida
Carreiros ao vento
Encruzilhadas perdidas
Em cada momento
São viagens esquecidas
Sonhos roubados
Destinos sem rumo
Caminhos adiados
Trilho o meu caminho
Passo a fraquejar
Na curva e contracurva
Desejo ... continuar
Nos teus braços sinto o calor que me desperta
Em carícias e enlaço
Nesse teu doce abraço
Em teu regaço sonho e me transformo
Sou deusa, criança, esfinge, mulher
Completamente tua nesse abraço
São teus braços abrigo onde renasço
Meu ninho, meu aconchego
Dorme o amor de mansinho
Nesse teu abraço, sem pinturas, sem disfarces
Repousa frágil, criança, feliz
Por um momento tua ... num abraço
Queria ser uma criança de cabelos ao vento correndo com os olhos postos nas estrelas sem pensamento algum
Saudades desse sorriso despreocupado e constante... dessa vivacidade contagiante... torrente de vida sem fim
Como seria bom correr livre de amarras ... em passos pequeninos saltitantes .... correrias loucas galopantes ... por penedos, veredas e jardins
Ahhh!... a minha alma voa num balão ... espreguiça-se no céu ... e dá viravoltas de contente
Saudades dessa felicidade inconsequente... dessa alegria envolvente ... que iluminava o meu olhar de cor ... de luz
Queria rir ... rir e rolar no chão naquela relva macia ...correr como quem voa ...e desejar todos os dias aquele jardim ...e olhar o céu deitada no chão e misturar o verde com o azul em tons de cetim
Sem ontem nem amanhã ... sem nada ... só aquele vento mansinho ... aragem fina entre os dedos ... e andar descalça ... sentir o chão frio ... molhar os pés
Abrindo os braços abraçava o mundo ... e tudo era meu
Lua que me acompanhas em horas cansadas
É teu o brilho que procuro
É tua a cor em que me vejo
Vela por mim em formas desnudadas
Na luz que na escuridão se perde
Da pele que na noite é nada
Tu que estás ai no céu como eu
Que vês tu que eu não vejo
Nesta noite escura de breu
São os abraços e os beijos
São mentiras e desejos
São amores meus
No tempo em que eu
contava o tempo
À tua espera
Sentada, em pé
Dormindo ou acordada
Vão tempos
Da aurora do amanhecer
Ao deitar e adormecer
Sozinha, no lençol enrolada
Vão tempos
Gestos impensados
Cheiros e sabores
Momentos
Que já não penso
Vão tempos
Do tempo
Que agora é nada
O mar lava
O Rosto em lágrimas seca
...
Vão tempos !
"As árvores morrem de pé" ...e as Lótus... renascem...